Fevereiro 26, 2008
Lupe Fiasco começou por ser uma grande esperança do hip hop mas lentamente tem vindo a perder protagonismo por estar demasiado preso a uma tendência que vai longe.

Não estamos a falar de um qualquer. Lupe Fiasco podia ser maior se se tivesse antecipado a Kanye West. Mas não o fez e vendo bem, não é comparável a ambição de ambos. Lupe não suporta a ignorância nem quer fazer música para as massas e este «The Cool» é claramente dirigido a um público específico.
Há um cariz pacifista e humano no disco que se perdeu nos últimos anos até à entrada em cena de Kanye. Mas Lupe Fiasco nunca se liberta de um estigma muito próprio dos anos 90 que o impede de ter uma outra visão, mais contemporânea e menos passadista. Embora essa seja uma intenção premeditada.
Este não é um hip hop exclusivamente rítmico, muito pelo contrário. Como o título indica, é cool, musical e cheio vibrações positivas, como diriam os amigos da tribo rastafari. Mas algo repetitivo em relação ao anterior «Food & Liquor», produzido pelo amigo Jay-Z.
O problema é que Lupe Fiasco está a cair na tentação de querer agradar muito aos amigos de infância. Preso aos beats que se ouviam na primeira metade da década de 90, não consegue combinar a onda colorida com um sentido pop que o hip hop ganhou. Não é mau mas podia ser bem melhor.
Aqui vos deixo um vídeo de uma das músicas:
Fevereiro 20, 2008
Os Mind Da Gap, filhos do hip-hop americano, pais do rap português e de uma nova “geração lascada”, que também poderia ser “geração faz esse”, estão de volta aos discos com ‘Matéria-Prima’ (1997-2007). Em entrevista ao CM, discutem-se os graus de parentesco: “Ninguém é pai porque somos todos influenciados pelo hip-hop americano. Houve uma série de gajos que ejacularam para dentro de um tubinho e nós fomos três desses”.

Serial, Ace e Presto são uns resistentes à passagem do tempo, mas os putos chamam-lhes cotas. São um fenómeno de culto, assumem-se como veteranos do hip-hop e reconhecem este momento como sendo “um marco e um trampolim, uma homenagem e um percurso virado para o futuro”, nas palavras de Presto. “Se fosse por nós tinha de ser um álbum triplo, para lá caberem todas as nossas canções emblemáticas.”
O rumo é, todavia, virado para a frente, uma sede de permanente evolução, explorar o novo, conferir novos dados a um específico nicho de público, a fãs que os continuam a seguir. Eles não fazem a apologia da resistência, sentem-se um “grupo que está sempre na ponta-de-lança”, com músicas que se querem frescas, com mensagens significativas, avessas à estagnação e quebrando regras. “Estamos a tentar garantir que nas próximas edições do dicionário da Língua Portuguesa, em Persistência venha a nossa fotografia”, dizem, humor à flor da pele e a sensação de que “as pessoas sentem um choque tremendo com certas coisas que dizemos”. Exemplos? “Algo como a mordacidade de “a revolução não vai passar na televisão”. Eles acham que nasceram, como diz uma das suas músicas, “para porem o dedo na ferida”.
PERFIL
‘Matéria-Prima’ (1997-2007) com 18 temas, três deles inéditos, faz o balanço de dez anos de gravações e explica porque é que os Mind da Gap se afirmaram como mentores do hip-hop nacional. Nomeado para melhor banda nos prémios MTV 2006, o trio do Porto integrou a compilação do Festival European Music Europavox com ‘Não Stresses’ e respectivo vídeo. Ao longo de dez anos lançaram quatro CD.
Fevereiro 20, 2008
O rapper 50 Cent diz que prefere cheques aos Grammys.

O rapper de ‘In Da Club’ terá dito à MTV que «o Kanye recebe os troféus, eu recebo os cheques», depois de saber que o “rival” Kanye West tinha ganho quatro troféus na cerimónia, que decorreu este Domingo.
«Disse isso porque nas galas de entrega de prémios sou negligenciado, esquecem-se de reconhecer a minha obra. Sou sempre esquecido nos Grammys. (…) Isso tem a ver com o sítio de onde venho e a forma como fui criado. Eles projectam isso para a América. Meu Deus, os filhos podem querer ser como eu!», completou.
Entretanto, a colaboração entre 50 Cent, Eminem e Dr Dre foi considerada o Melhor Momento de Sempre no hip hop, pela conceituada revista de rap, XXLmag.
“Curtis” é o novo álbum do rapper americano.
Fevereiro 18, 2008
Música, dança e pintura compõem esta cultura.
Para muitas pessoas, hip-hop é um estilo de música como tantos outros. Mas, na realidade, hip-hop é uma cultura que reúne música, dança e pintura.

Goofy é monitor de breakdance, normalmente designado como a dança do hip-hop. É “um estilo de dança muito físico, que requer uma destreza física do bailarino, porque é uma coisa muito passada no chão”, diz.
Para Goofy, o hip-hop é uma forma de “abrir os olhos” aos jovens problemáticos dos bairros sociais onde trabalha. “Quando o hip-hop surgiu foi no âmbito de poder haver uma igualdade de direitos e deveres numa sociedade americana onde os negros não tinham nem direitos, nem deveres, onde viviam em guetos e não tinham sequer condições para sobreviver. O sentido do hip-hop é esse”, sustentasustenta [Ouvir] .
Mas a dança do hip-hop não se restringe ao breakdance. Hoje em dia há vários estilos e subestilos, que se dividem em duas escolas: a old school (velha escola) e a new school (nova escola). Né Marques, professora de dança nas vertentes de ragga e hip-hop, considera que os estilos principaisestilos principais [Ouvir] são “os da old school, que são locking, popping e breakdance. São estilos que as aulas actuais de hip-hop não exploram. E é isso que eu acho errado, porque são a base do hip-hop, que realmente é a contestação e toda a parte importante pelo qual o estilo nasceu”.
DJ que “imprime personalidade”
A actividade de DJ (ou disc jockey) não é novidade para ninguém. O que muitos desconhecem é que o DJing é uma das vertentes do hip-hop.
Segundo Sistema, DJ dos Mundo Secreto, “o DJ de hip-hopDJ de hip-hop [Ver] é o que tira maior proveito de dois pratos e de uma mesa de mistura. Não há outro DJ, a não ser, talvez, os de drum’n’bass, que consiga utilizar tantas potencialidades de um prato, de um vinil e uma mesa. Não só isso, mas é também os que demonstra mais mestria em termos musicais.”

Graffiti: a “arte” do hip-hop
Por vezes considerado vandalismo, o graffiti é talvez a vertente menos explorada do hip-hop, e aquela que mais dificuldades tem em chegar ao grande público. Para o writer Jezz há “falta de divulgação”. Se as pessoas que consideram graffiti uma forma de vandalismo “fossem ver exposições de graffiti vão ver que isso não tem nada a ver: graffiti é uma arte”, diz.
Rui Miguel Abreu pensa que, quando comparado com os “enormes cartazes publicitários que hoje em dia existem espalhados por todo o lado”, um bom graffiti é “uma fonte de alívio visual”.
O editor considera que o graffiti é “uma forma de arte extremamente válidaforma de arte extremamente válida [Ouvir] , que já gerou artistas fantásticos ao longo dos anos. Há imensos livros a provar exactamente isso. Há muitas galerias de arte que expõe já obras de writers”.
Fevereiro 17, 2008
Artistas apresentam diversas perspectivas sobre o futuro do género.
As pessoas que fazem do hip-hop o seu estilo de vida vêem o futuro da cultura sobre diferentes pontos de vista.
Lee7 partilha a ideia do MC (vocalista) americano Nas, que lançou recentemente o álbum “Hip Hop is Dead”. Para a bailarina, o hip-hop vai seguir a vertente comercial. “Vão sugá-lo, vão destruí-lo, vão deturpá-lo, vão destituí-lo de tudo o que ele representa, e vai morrer. Mas fica sempre a resistência”, dizdiz [Ouvir] .
Por sua vez, a MC Dama Bete considera que “no futuro vai ser como agora. Vai haver os grupos bons, que vão conseguir passar uma boa mensagem” e músicos como “50 Cent, Snoop Dogg, que não vão dizer praticamente nada, mas que as pessoas vão gostar pelo ritmo, pelos instrumentais mais cativantes”.
New Max diz que no futuro “tem que haver uma mudança, talvez não no hip-hop, mas na maneira como se fazem as músicas, na parte de produção”. “Isto está um bocado cansativo a nível geral. Já se mastiga tudo”, reflecte. Para o produtor e cantor dos Expensive Soul, “é preciso criar algo novo e isso brevemente vai aparecer”.
Regresso à old school
Chico, MC dos Mundo Secreto, pensa que “o hip-hop vai saturar e voltar ao que era há uns tempos atrás. Vai voltar ao old school. E isso já se vê, por exemplo, no breakdance”. “A música e as modas são um ciclo”, conclui.
Presto, MC dos Mind da Gap, partilha da mesma ideia. O hip-hop “vai andar um bocadinho para trás, o que pode não ser muito mau, porque pode ser que haja menos expectativas comerciais em relação à música”, vaticinavaticina [Ver] .
Rui Miguel Abreu, jornalista e um dos donos da editora Loop, pensa que o hip-hop português “vai atingir um pico de popularidade que ainda não atingiu”. E prevê um “futuro brilhante” para o género.